27 de maio de 2017

O mundo dele ( Barman ) - Suzette Rizzo

Há uma passagem secreta
atrás do balcão
para o portal do sonho lilás.
No chão, os cachos esparramados
cheirando a linhaça...
cílios longos, olhos cerrados,
boca entreaberta,
mostrando a ponta dos dentes alvos.

Assisto secretamente,
querendo ser poeta,
compositora, pintora,
para retratar o copo de vinho entornado,
perto do corpo adormecido,
derrubado de cansaço.

É mesmo um poema aos meus olhos
poluídos de tantas desgraças,
admirar suas mãos relaxadas,
um meio sorriso nos lábios,
como se a estopa fosse seda
e, houvesse bom travesseiro apoiando
a cabeça...
cujo sonho esvoaça,
tal fosse uma borboleta.

Não posso acorda-lo!
Arranca-lo dos seus lilases,
das musas de seus poemas,
talvez do vazio que relaxa
seu destino nada camarada.
Não quero que me veja,
assim louca observadora,
intrusa em seu recanto renovador
da energia gasta.

Saio. Parece estive no Paraíso,
ao lado de um anjo caído.
Entro no mundo dele.
O mundo degradante que ele vive.
E eu, ali, juntamente decaída,
querendo forçar um espaço nessa alma
e, a porta se abrindo... 
lentamente,
mostrando-me a saída

Suzette Rizzo _ February 04, 2005





25 de maio de 2017

Gota a gota



Faço parte da sinfonia 
daqueles que rimam,
daqueles que sentem,
daqueles que amam sons e letras.
Sou parte de uma comunidade
que se identifica no pensar e na escrita.
Sou toda inspiração, sou meio profeta,
aquela que uma vez assim nascida
borrifa versos queira ou não queira...
Assim, como a rotina da ampulheta.

Suzette Rizzo
May 24, 2017

Micro


Se tenho em mim planetas, 
luas, galáxias,
escuros e estrelas,
espaço não falta para escapar
desta casa torta!
Vamos lá então, flutuar em Deus,
deixa-lo ser Templo em mim,
e eu, gaivota.

Suzette Rizzo







24 de maio de 2017

A procura da inspiração

Quero escrever um poema nobre,
que fale de amor verdadeiro,
como a noite sempre inspira
se há brilho de estrelas.
Que ele flua mansamente
como o sangue corre as veias.

Mas não sei onde se esconde 
o anjo cochichador,
aquele que sopra aos meus ouvidos
o princípio do meu torpor.
Onde estarão as flores 
que semeou  em minha alma,
os botões que não se abrem
nesta mente vazia?
Por que some? Onde se enfia?

Eu não quero descrever
iniquidades latentes 
dos problemas atuais,
sobre a farsa das religiões,
o social inexistente.
Sinto-me  pouco à vontade
com  ilusões apagadas,
expor coisas graves
falar das faltas existentes
no meu país,
essa não é minha praia.

Prefiro falar de amor
usar amor em meu tema,
descobrir além Dele onde está
o amor gêmeo, companheiro...
o amor que luta por amor,
aquele que aromatiza
cura e purifica,
se dá por inteiro.

Também não quero falar
da materialidade das pessoas
que  justificam erros,
banalizam a arte da vida...
Eu quero um tema limpo
como é o azul do céu,
untar minha inspiração
do suco das folhas da videira
e que de mim nasça o fruto
de um poema que descreva
a alma inteira.

Quero sim lavar tristezas
ser enfim tua herdeira! 

Suzette Rizzo 
May 19 2006


Algemas feiticeiras

Imantado o corpo dele
sugador de sentimentos...
Que a noite como um feiticeiro
penetrava emoções à espada,
extraindo direitos da alma
sangrando meus momentos.

Despertava passiva e dominada
recolhendo mazelas da vida
dificuldades amordaçadas...
E nada mais me era revelado
ou sentido
exceto o amor castigo.


Não despertei tão cedo,
estava imune a realidade.
Entregue a sonhos desenhados 
nas retinas...
Sonhos dele
sonhos de mago
magia de esquina.  

Hipnotizada,
dei-me àquela opressão
imperceptível no momento,
como um fantoche  seguindo
o negro rastro,
dominante e malfazejo
por muito tempo.

Um dia estourei amarras,
arranquei de dentro
a alma enfeitiçada...
E vi meu destino liquidado
no rosto caído
nos olhos inchados.

Foi quando
meu grito estendeu-se
e o ar circulou em
meu quarto. 
Suzette Rizzo         




“Paroles, paroles

Paroles, paroles
(Michaele / M. Chiosso / G. Ferrio)
Alain Delon:
C’est étrange,
(É estranho)
Je n’sais pas ce qui m’arrive ce soir,
(Não sei o que me acontece essa noite)
Je te regarde comme pour la première fois.
(Eu te olho como se te visse pela primeira vez)
Dalida:
Encore des mots toujours des mots
(Somente palavras, sempre palavras)
Les mêmes mots
(As mesmas palavras)
Alain Delon:
Je n’sais plus comme te dire
(Eu não sei mais como te dizer)
Dalida:
Rien que des mots
(Nada mais que palavras)
Alain Delon:
Mais tu es cette belle histoire d’amour…
(Mas você é essa bela história de amor..)
Que je ne cesserai jamais de lire.
(Que eu não pararei nunca de ler)
Dalida:
Des mots faciles des mots fragiles
(Palavras fáceis, palavras frágeis)
C’était trop beau
(Era tão bonito)
Alain Delon:
Tu es d’hier et de demain
(Você é de ontem, de amanhã,)
Dalida:
Bien trop beau
(Muito lindo)
Alain Delon:
De toujours ma seule vérité.
(De sempre a minha única verdade)
Dalida:
Mais c’est fini le temps des rêves
(Porém chegou o fim do tempo de sonhar)
Les souvenirs se fanent aussi
(As lembranças murcham também)
Quand on les oublie
(Quando as esquecemos)
Alain Delon:
Tu es comme le vent qui fait chanter les violons
(Você é como o vento que faz cantar os violões)
Et emporte au loin le parfum des roses.
(E leva ao longe o perfume das rosas)
Dalida:
Caramels, bonbons et chocolats
(Caramelos, bombons e chocolates)
Alain Delon:
Par moments, je ne te comprends pas.
(Por instantes, não entendo você)
Dalida:
Merci, pas pour moi
(Obrigada, não para mim)
Mais tu peux bien les offrir à une autre
(Mas você pode muito bem oferecê-las a outra)
Qui aime le vent et le parfum des roses
(Que goste de vento e perfume de rosas)
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
(Quanto a mim, as palavras meigas envolvidas de doçura)
Se posent sur ma bouche mais jamais sur mon ceur
(Podem ficar na minha boca, mas nunca no meu coração)
Alain Delon:
Une parole encore!
(Apenas uma palavra!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Ecoute-moi.
(Me escuta)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je t’en prie.
(Eu te imploro)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je te jure.
(Eu te juro)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga no vento)
Alain Delon:
Voilà mon destin te parler…
(É esse o meu destino, te falar…)
Te parler comme la première fois.
(Te falar como da primeira vez)
Dalida:
Encore des mots toujours des mots
(Somente palavras, sempre palavras)
Les mêmes mots
(As mesmas palavras)
Alain Delon:
Comme j’aimerais que tu me comprennes.
(Como eu adoraria que você me entendesse)
Dalida:
Rien que des mots
(Nada mais que palavras)
Alain Delon:
Que tu m’écoutes au moins une fois.
(Que você me ouvisse pelo menos uma vez)
Dalida:
Des mots magiques des mots tactiques
(Palavras mágicas, palavras táticas)
Qui sonnent faux
(Que soam falsas)
Alain Delon:
Tu es mon rêve défendu.
(Você é meu sonho proibido)
Dalida:
Oui, tellement faux
(Sim, tão falsas)
Alain Delon:
Mon seul tourment et mon unique espérance.
(Meu exclusivo tormento e minha única esperança)
Dalida:
Rien ne t’arrête quand tu commences
(Nada te impede quando você começa)
Si tu savais comme j’ai envie
(Se você soubesse como eu desejo)
D’un peu de silence
(Um pouco de silêncio)
Alain Delon:
Tu es pour moi la seule musique…
(Você é para mim a única música…)
Qui fit danser les étoiles sur les dunes
(Que faz dançar as estrelas sobre as dunas)
Dalida:
Caramels, bonbons et chocolats
(Caramelos, bombons e chocolates)
Alain Delon:
Si tu n’existais pas déjà… je t’inventerais.
(Se você já não existisse… eu te inventaria)
Dalida:
Merci, pas pour moi
(Obrigada, não para mim)
Mais tu peux bien les offrir à une autre
(Porém você pode muito bem oferecê-las a uma outra)
Qui aime les étoiles sur les dunes
(Que goste das estrelas sobre as dunas)
Moi, les mots tendres enrobés de douceur
(Quanto a mim, as palavras meigas envolvidas de doçura)
Se posent sur ma bouche mais jamais sur mon ceur
(Ficam sobre minha boca mas nunca sobre meu coração)
Alain Delon:
Encore un mot juste une parole
(Só uma palavra, somente conversa)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Ecoute-moi!
(Me escuta!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je t’en prie!
(Eu imploro!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Je te jure!
(Eu juro!)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga ao vento)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu est belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole
(Conversa, conversa, conversa)
Alain Delon:
Que tu es belle!
(Que você é bonita!)
Dalida:
Parole, parole, parole, parole, parole
(Conversa, conversa…)
Encore des paroles que tu sèmes au vent
(Somente palavras que você joga ao vento)



Conflitos

Estarei só,
esmagando esperanças
nos olhos mortiços
e, para não viver das  sobras
das recordações que ficarão,
procurarei bons livros,
canções diferentes das nossas...
tentarei não deter lembranças
e arranhões.



Contudo, não conseguirei
cobrir o céu de estrelas
ou inventar indiferença,
nem deixarei de rolar meus desejos
na cama estreita...

Também não poderei rasgar
como se rasga uma foto
o sentimento nutrido,
nem trocar a alma
que ele rejeita.


Suzette Rizzo