19 de fevereiro de 2018

Poesia (Hey You) – Suzette Rizzo




Gosto da poesia entendível,
aquela que a alma dita enquanto a lágrima escorre
ou o riso floresce.
Gosto da poesia que diz alguma coisa,
não aquela que apenas reúne palavras
ininteligíveis... 
Poesia  mesmo, sai do fundo e acresce!
Ei você!
Gosto de poesia que adentra a alma e encanta,
sobretudo, fosforesce!


Suzette Rizzo - February 19, 2018


6 de fevereiro de 2018

Enganação - Suzette Rizzo




Tua poesia era um banquete para a minha alma,
tão melodiosa que a canção se repetia
e mesmo em vigília a ouvia.

Tua poesia era berço, alento das noites frias...
Mormaço no verão, frescor de vento leve,
refrigério, luz, compasso.

Tua poesia era minha (pensei), estava em mim
como o ar que eu respirava, braços que abraçavam,
preenchendo meu corpo todo de suave torpor

Tua poesia não era minha,
descobri e morri ...
Foi ela que me matou.

Suzette Rizzo - 24 -2 -15





Travessuras poéticas - Suzette Rizzo







Mesmo que se esparrame
como chamas,
paixão sem dono e sempre acesa,
é somente insatisfação
de poeta sem direção!

Seus versos indefinidos
saqueiam palavras, que afiadas
gracejam palavras doces...
É o mundo do poeta
catador de tudo e nada!

Amaria andar sangrado,
sentindo o vento que soprasse a dor,
mas cadê a ventura da dor?

Ah! Nada além de travessuras!

Mero poeta libertário,
consumido por chamas estéreis,
imune as amarras e queimaduras!

Friday, February 27, 2015




31 de janeiro de 2018

Ruínas – Suzette Rizzo


Esta alma semi afogada no rio da vida,
estendeu as mãos
para aqueles que jamais conheceram
as profundezas das águas
ou a comiseração.
Não importa o que escrevi ou escreva,
alguns talvez leiam depois
e acredito poucos abarcarão
o ritmo deste coração.
E assim, naqueles dias de alma semi afogada,
alagada, saturada...
quem conheci ou há muito conhecia
não me ergueu daquele chão!

Suzette Rizzo - 2017









Nona hora – Suzette Rizzo




Coloco tudo em seus lugares,
cada etapa da vida, cada cilada
cada qual em seu espaço.

Coloco a vida na estrada
e vivo momentos flores,
noites enlameadas.

Atravessei dias mais dias,
massacrei-me como uva nos lagares,
desvesti-me das surpresas
e na nona hora gritei:

Eu nem vivi meu Deus!!!

Não sei o que vale ou valeu,
se o tempo devasta a vida
se coisa por coisa morreu.

Suzette Rizzo -January 30, 2018





30 de janeiro de 2018

Das profundezas – Suzette Rizzo






Penso tristezas... 
Não para atraí-las, mas sim chora-las.
Talvez para que também se espalhem
por este mesmo chão
onde os duros marcham
e os bons se debatem.
Penso tristezas de quatro patas,
de guelras, de asas, 
na tristeza interior de algumas criaturas,
no universo choroso lamentando os seres escuros,
esses que nada sabem do amor,
esses que não se importam
e apenas vivem por viver,
para então morrer,
sem saber que estão mortos para o depois

Suzette Rizzo - January 30, 2018






28 de janeiro de 2018

A vida no Mundo (Oposição) - Suzette Rizzo



A vida não é um poema de Tagore
nem o desencadear de um vento visitante...

É, creia, um drama temporário
não a linda canção dos pássaros.

A vida é o lar carcerário,
um tempo quase sempre trágico.

Saiba, a vida fura como estiletes
fere com unhas de bruxa,

dilacera como os caninos das feras
ingere como a morte ingere, nossa alma.

Vida é poema deficiente,
capaz de deleitar a vista

e ao mesmo tempo esmagar--nos
medíocre e ensandecidamente

Porque o mundo segundo Nietzsche  
é um monstro paranoico e lamacento
e somos  irmãos de quem disse.

Vida é sonho caído da estrela
que o mundo escorraça

e o chão freia,
em meio ao todo de mentes doentes

E os ideais espatifados no solo
não são de um meteoro

ou rápido cometa
sofrendo de vez a queda

Além disso, vida é só perda
e é lenta como um burrico
empacado em frente a cerca.
                                         Suzette Rizzo
           
2003



- Rumi -



“Saiba então que o corpo é apenas uma peça de vestuário.
Procure o usuário e não o manto”.
                                                 Rumi




26 de janeiro de 2018

Sem abertura - Suzette Rizzo




Vetado falar de transtornos,
da vida feia,
das dúvidas de um modo geral.

Vetado externar asneiras,
poetar grandes paixões,
escusas verdadeiras.

Vetado sonhar acordada
consciente das vontades,
cantar ideais de felicidade.

Vetado viver a dose deliberada,
transbordar o rio da saudade
condicionada.

Vetado plantar sentimentos,
colher possibilidades
substituir nostalgia por novidade.

Sem abertura!
Clausura inalterável,
estímulos vetados.

Suzette Rizzo - 2006







25 de janeiro de 2018

Abdução - Suzette Rizzo





Abduzida por sonhos
indisponíveis a esta vida... 

Abduzida pelo amor
Inexistente... 

Abduzida por sentimentos
dessemelhantes... 

Por desejos impares
do extinguido por aqui, 

gerado por um ventre indesejoso 
da maternidade,

creiam, nem nasci, 
simplesmente caí,

para que então eu ruísse como ruí. 

(assim vejo e vi)

Suzette Rizzo




22 de janeiro de 2018

Milhares de milênios - Suzette Rizzo



Dentro de você,
existe a experiência de ter sido
um cão sem dono
ou um boi que se encaminhou
ao matadouro.

Talvez um cavalo puxador de carroça,
quem sabe um leão de circo, maltratado,
um pobre gatinho solitário,
uma ave de asas quebradas,
um peixe correndo dos outros

Muitos bichos você foi!

Dentro de você,
moram águas de um rio,
uma flor, entre as muitas
de um jardim
e, corre terra, corre amor,
as químicas do universo
e o carbono do infinito;
em todos, em você, em mim.

É ! Até mineral você foi.

O cão com fome, pense nele,
sentindo faltas...
pense no boi em direção ao matadouro,
no cabrito, no carneiro
prevendo o fim,
e o medo que já  sentiu
a se esparramar por dentro.

Depois refresque os pensamentos...
para isso você viveu
as águas doces de um rio...
E sinta a flor do coração
enfeitando dias feios desta sua vida:
tenha tolerância com aquele
de alma menos evoluída.

Você também a teve pequena,
um dia.

Porque na subconsciência
moram seres primatas,
índios selvagens,
seres extraterrestres.
Só não sei se existe planeta
em maior atraso.

Pois é! Dentro de você mora o Verbo
e uma imensa bagagem,
do tamanho dos seus anos de universo!

É isso! Dentro de você
mora o poema perfeito:
A Criação de DEUS !

Autoria – Suzette Rizzo
Respeite os Direitos Autorais


Amortecida - Suzette Rizzo





Ando  por aí,
passo leve e vagaroso...
não há pressa de chegar
a lugar algum.
Não há pra onde
dirigir meus sonhos
e as ilusões já não são
ânsias bisonhas...
Agora voam
para além dos horizontes,
onde vivem
as verdades mais estranhas.
Mas não é  pra lá que me dirijo
Estou sem combustível
até pra isso.
Suzette Rizzo


Ancoradouro - Suzette Rizzo




Neste silencio, procurando um ideal,
qualquer,
parada no meio da sala interrogando o “sopro”
que me faz viver entre fantasia e lógica,
assim estou.
Ouvindo apenas mutáveis respostas,
sentindo-me plantada neste planeta lindo...
impressionada com Quem  nos plantou.

Inquieta-me a idiotice das criaturas
e busco então a legitimidade de tudo isso,
exigindo desta cabeça inconformista,
respostas mais lógicas.

Encontro explicação metafísica, filosófica,
da física quântica e busco assim curiosa
entre literatura poética e viagens cósmicas,
a Verdade das verdades,
de modo  menos nocivo e primitivo.

Ancoro de modo intenso neste transtorno depressivo,
perguntando-me não os porquês da existência, 
mas... “pra quê existo”???


Suzette Rizzo


19 de janeiro de 2018

Osho


OSHO




Na Pele ( Elza Soares e Pitty)


Olhe dentro dos meus olhos
Olhe bem pra minha cara
Você vê que eu vivi muito
Você pensa que eu nem vi nada
Olhe bem pra essa curva,
do meu riso raso e roto
Veja essa boca muda
Disfarçando o desgosto
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales
Na pele leito de rio
Contemple o desenho fundo
Dessas minhas jovens rugas
Conquistadas a duras penas
Entre aventuras e fugas
Observe a face turva
O olhar tentado e atento
Se essas são marcas externas
Imagine as de dentro
A vida tem sido água
Fazendo caminhos esguios
Se abrindo em veios e vales 
Na pele leito de rio

Elza Soares e Pitty






















18 de janeiro de 2018

Veneno – Suzette Rizzo




Não posso aceitar o tal frasco do veneno 
que a avó alertou após o AVC. 
‘No terreno, enterrado, 
um mal para nós e você’. 
Será que ela viu? 
Será que alguém disse? 
Será um problema de vidas passadas 
guardado na sub consciência, 
pulando pra fora na hora triste? 
Mas o fato é que ingerimos  
o tal veneno da adversidade.  
Sofremos todos, morreram todos 
e eu continuo sentindo os males 
em cada casualidade. 
Suzette Rizzo